Portos
01/02/2011 - 01h53

Parcos e portos


Em 28 de janeiro foi comemorado o Dia da Abertura dos Portos. A data faz menção a 1808, quando assinado o chamado Decreto de Abertura dos portos às Nações Amigas, promulgado pelo então Príncipe Regente, D. João. É um marco representativo para o livre comércio no Brasil, já que navios de outras nacionalidades passaram a aportar por aqui, trazendo e levando produtos.

Passados 203 anos, estamos ainda engatinhando em termos de estrutura logística para adequados escoamento e recepção de produção, tanto nos portos como no transporte até eles. Cálculos do IBGE apontam que, entre a colheita e armazenagem portuária, perde-se em média até 10% da produção em cada safra, o que é muita coisa.  E não somente a agricultura, como todos os outros níveis de comércio sofrem desvantagens com a atual conjunção logística. Pelo ponto de vista de nossa geografia física, esse fato é inconcebível.

Como o transporte rodoviário tem prioridade por aqui, temos malhas hidrográfica e ferroviária subaproveitadas, o que prejudica e contribui em muito para os desperdícios e atrasos, principalmente no que concerne ao escoamento de produção. Se levarmos em conta ainda a estrutura aquém dos portos brasileiros, podemos concluir que nosso produto triunfa, apesar de alguns entraves na logística.

Estamos assistindo, nos últimos anos, a um constante crescimento econômico interno. Nossos portos vêem ainda uma crescente das importações, que, devido ao dólar mais barato e a acordos econômicos de eficiência questionável para o Brasil, chegam a superar as exportações, salvo pelos produtos agrícolas brasileiros que, mesmo desperdiçados pelo caminho, têm compra garantida, já que o mercado internacional é carente do que produzimos aqui.

É fato, no entanto, que nossos indicadores pedem otimismo. O mercado interno está fortalecido, o externo em recuperação. Mas os consumidores, nações ou pessoas, são cada vez mais exigentes. Sem a garantia de um bom aproveitamento de alimentos, transporte de produtos adequado, e especialmente, escoamento eficiente de mercadorias, o país perde muito em competitividade.

Se quisermos atingir o nível de evolução dos países mais desenvolvidos, com condições para até superá-los, o Brasil precisa de uma política mais efetiva nesse sentido, seja através do Programa de Aceleração do Crescimento, dos diversos ministérios e/ou de iniciativas estaduais. A verdade é que preocupação e ação devem ser conjuntas.


Braz Albertini é agricultor, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp) e idealizador da Agrifam

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