Meio Ambiente
02/07/2018 - 03h15

Mais de 100 kg de corais 'assassinos' são retirados da Laje de Santos, SP


Espécie invasora coloca em risco o equilíbrio da biodiversidade do santuário. Pesquisadores e monitores retiram os corais com martelos.

 
Mais de 100 kg de corais-sol foram retirados, nos últimos dias, do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, no litoral de São Paulo. Pesquisadores correm contra o tempo para coibir a proliferação da espécie invasora, que coloca em risco o equilíbrio da biodiversidade do santuário, localizado a cerca de 42 km das praias de Santos.
 
O G1 acompanha o caso desses corais desde março deste ano. Nesta semana, pesquisadores e monitores que visam a preservação e a conscientização ambiental e atua em prol da conservação do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, saíram para uma expedição com o objetivo de remover a maior quantidade possível de coral-sol.
 
Nativo do Oceano Pacífico, esse tipo de coral chegou ao país na década de 1980, provavelmente incrustado em plataformas utilizadas na exploração de petróleo. As estruturas eram fabricadas no exterior e rebocadas para serem utilizadas na costa brasileira. Desde então, apesar dos esforços, sua proliferação jamais foi plenamente contida.
 
 
Quem vê o lindo coral, não imagina o quanto ele é ameaçador para a biodiversidade marinha na na região. Como ele é nativo do oceano Pacífico, ou seja, se trata de uma espécie invasora do oceano Altântico, não faz integração com os outros animais, o que provoca uma quebra da cadeia alimentar. Segundo especialistas, ele é considerado um coral 'assassino', já que coloca várias outras espécies em grande perigo.
 
“É uma espécie invasora. Eles destroem as nossas espécies de corais, a comida dos peixes, que são as algas e, se proliferam muito rápido. É como uma praga. São lindos, mas não condizem com a nossa cadeia alimentar”, explica Paula Romano, monitora ambiental do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos.
 
Somente em meados de 2012 a espécie foi encontrada na área da Laje de Santos. Além da laje, o parque é composto por formações rochosas submersas e por rochedos conhecidos como Calhaus. Em entrevista ao G1, em março deste ano, o gestor do parque, José Edmilson de Araujo Melo Junior disse que assim que foi identificado o problema, traçou um plano de manejo para que ele fosse contido.
 
 
Equipes saem de Santos e São Vicente, de barco, em direção ao Parque Estadual, para conter a disseminação dos corais. Nesta semana, o oceanógrafo Marcelo Kitahara, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colaborador do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (USP), um dos mais importantes estudiosos da espécie no Brasil, comandou e o orientou a equipe. Ele realiza a capacitação de mergulhadores e monitores ambientais para remover os corais.
 
O trabalho de retirada é totalmente manual. Pesquisadores, monitores e voluntários mergulham no mar e, com talhadeira e martelo, retiram o coral do costão. “Conseguimos tirar mais de 100 quilos e ainda ficou muito lá, uma parede cheia. Estamos primeiro limpando o Calhau, tem muitos corais lá. Vamos nos capacitar e fazer campanhas para levar alguns voluntários e tentar combater isso”, finaliza Romano.

 
 
G1 Santos
 

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