Portos
06/11/2018 - 02h17

Com o pé direito



"A nova cultura começa quando o trabalhador e o trabalho são tratados com respeito." A célebre frase do escritor e ativista político russo Máximo Gorky (1868 -1936) sintetizou o sentimento dos dirigentes do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport) que participaram da reunião realizada na noite da última quinta-feira (1) na sede da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), estatal que administra o Porto de Santos, com o novo presidente da empresa, Luiz Fernando Garcia.
 
Convocados pelo mandatário que assumiu o cargo na data anterior em substituição a José Alex Botelho de Oliva, exonerado após ser preso pela Polícia Federal na manhã da mesma quarta-feira durante a Operação Tritão como suspeito de participar de fraudes em licitações nas áreas da dragagem, consultorias e tecnologia de informações, os representantes do Sindaport, entidade laboral representativa majoritária dos empregados da Codesp, que conta com pouco mais de 1.400 funcionários, saíram satisfeitos do encontro.
 
"Convidar as lideranças sindicais para uma reunião formal e com isso estabelecer um canal de comunicação com a classe laboral logo no primeiro dia de trabalho foi sem dúvida alguma uma importante iniciativa, nada comum em se tratando de um presidente, além de um respeitoso e promissor cartão de visitas que prenuncia dias melhores para a Codesp e seu quadro de profissionais, e sobretudo para o maior e mais relevante complexo portuário da América Latina", afirmou o vice-presidente do Sindaport, João de Andrade Marques.
 
Durante o encontro, Luiz Fernando Garcia ouviu atentamente as reivindicações dos trabalhadores, entre elas o desligamento imediato de todos os empregados comissionados indicados pelos diversos partidos políticos com reconhecida ingerência na Codesp, a revisão dos contratos celebrados pela empresa, a proibição de novos aditamentos contratuais e a suspensão dos chamados reequilíbrios financeiros. Um documento com a pauta da classe laboral foi entregue ao executivo pelo presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos. O diretor social do sindicato, Edilson de Paula Machado, também marcou presença.
 
Os trabalhadores acreditam que os muitos funcionários indicados politicamente deverão ser desligados. "Há tempos estamos denunciando o escambo que virou esse festival de nomeações politicas de pessoas despreparadas que nada entendem da atividade e que jamais viram um porto na vida, como o é o famoso e vergonhoso caso do assessor da presidência conhecido como Guga (Luiz Gustavo Fonseca da Silva), que mesmo empregado e ganhando excelente salário nunca deu o ponto para trabalhar na Codesp e sequer sabem de seu paradeiro", destacou João Andrade.
 
O sindicalista acredita que a nova gestão será pautada pela valorização dos empregados de carreira da empresa. "A Codesp sempre foi reconhecida como celeiro de grandes profissionais, que conhecem o segmento portuário e os problemas do cais santista como poucos, e nesse sentido falo de gente comprometida, dedicada, ética, qualificada e sobremaneira experiente, que poderá contribuir significativamente com a companhia e para o Porto de Santos, mas que até o momento infelizmente vem sendo preterida em favor dos apadrinhamentos político partidários."
 
Crítico ferrenho do sistema de favorecimento empregatício implantado na Autoridade Portuária, o Sindaport já ofertou inúmeras denúncias nos órgãos competentes, tais como o Ministério Público, a Casa Civil, Tribunal de Contas da União e outros. "Há anos o sindicato vem batendo firme nesse uso nefasto da máquina pública para acochambrar os apaniguados e vejo a dançarina do cantor Latino como o exemplo mais agudo dessa verdadeira esbórnia que virou o loteamento de cargos na Codesp e por tal vamos aguardar para ver o que farão com esse pessoal que recebe altos salários sem fazer absolutamente nada, exceto ser vergonhosamente carregado nas costas pelos legítimos e verdadeiros codespanos", salientou o líder sindical.
 
Em abril de 2016 o sindicato encaminhou ofício para a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional denunciando a contratação da "latinete" e ex-aspirante a miss Itajaí, Daniele Elise Rodrigues, para o cargo de assessora do então presidente e agora detido pela Polícia Federal José Alex Botelho de Oliva. A denúncia surtiu efeito imediato com a demissão da dançarina, que ficou pouco mais de uma semana na função e embolsou a bagatela de R$ 154 mil, tudo ao melhor estilo do megassucesso "Festa no Apê" custeada pelos cofres da Codesp.
 
A inusitada atitude de Luiz Fernando Garcia igualmente se estendeu à classe empresarial do setor que, representada pelos operadores portuários que atuam no Porto de Santos, horas antes também se reuniu com o mais novo presidente da Codesp para dele ouvir, ainda que preliminarmente, as metas e objetivos da administração que se inicia. "Demonstrou que é proativo e sabedor dos problemas que norteiam o comércio exterior brasileiro deixou claro que pretende manter estreita sintonia com os principais agentes do segmento, ou seja, trabalhadores, empresários, poder público local e outros que interagem direta e indiretamente com a questão portuária", explicou João Andrade. O novo mandatário da Codesp já atuou como secretário de Políticas Portuárias da extinta Secretaria de Portos da Presidência da República.
 
Em pleno feriado
 
Os elogios ao perfil inovador de Luiz Fernando Garcia aumentaram já no segundo dia de trabalho, feriado de Finados, quando o jovem presidente convocou alguns empregados da Codesp com o propósito de melhor conhecer a situação administrativa, financeira e operacional da docas paulista. "Foi bastante determinado, ético e coerente em suas manifestações iniciais direcionadas aos companheiros, deixando a nítida impressão de que veio para fazer a diferença em termos de condução e tutela da coisa pública, além de exteriorizar muita confiança na realização de um grande trabalho à frente da maior estatal portuária do país, mesmo diante desse triste episódio que arranhou significativamente a imagem da Codesp", lamentou o vice-presidente do Sindaport.
 
Na avaliação de João Andrade, o líder máximo da Autoridade Portuária de Santos quer rapidamente colocar em prática seus conhecimentos e experiências adquiridas ao longo dos anos na área portuária. "Considerando que já exerceu o cargo de assessor especial do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, tendo inclusive atuado como coordenador de diversos grupos técnicos de trabalho criados pela pasta, creio que ele chega para equacionar algumas carências que inviabilizam o crescimento do setor no âmbito local."
 
Segundo ele, ao agir de forma célere na exoneração dos envolvidos na Operação Tristã e imediata nomeação de seus substitutos o Governo Federal revelou toda sua preocupação e responsabilidade com o mais importante porto do país. "A pronta designação do doutor Garcia foi uma providencial resposta ao mercado e ao segmento portuário nacional, no sentido de que não haverá nenhuma descontinuidade nos serviços públicos prestados pela Codesp, demonstrando respeito pelo cargo, pelos empresários, representantes sindicais e acima de tudo, pelos empregados da empresa que agora preside. Começou com o pé direito", concluiu o dirigente sindical.


AssCom Sindaport / Denise Campos De Giulio
 

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