Turismo
29/06/2020 - 09h41

Histórias, títulos e recordes marcam os 75 anos do Aquário de Santos


 
Simpático, alegre, com muita história para contar, é queridinho na Cidade e está completando 75 anos. Não, não estamos falando de uma pessoa, e sim do ponto turístico mais visitado de Santos, aquele que faz a gente voltar no tempo e morrer de saudades da infância. Que atrai famílias, gerações. O Aquário de Santos fará aniversário na próxima quinta-feira (2), acumulando recordes, títulos e mantendo-se como importante referência para santistas e turistas.
 
O parque, localizado na Praça Vereador Luiz La Scala s/nº, na Ponta da Praia, está fechado desde o dia 17 de março, por conta das restrições impostas pela pandemia do coronavírus. Mas o local, com tantas décadas em funcionamento, registra número crescente de visitas, o que demonstra forte relação com a Cidade e o turismo. Só no último verão, foram 180 mil pessoas. No anterior, 156 mil. Sem contar que o local é referência na reabilitação de animais marinhos e pioneiro da Educação Ambiental no Brasil.
 
“O Aquário faz parte da história de cada um de nós. São 75 anos cativando e educando os visitantes para um futuro melhor”, afirma o secretário de Meio Ambiente, Márcio Gonçalves Paulo.
 
Boa parte das histórias do Aquário, de suas atividades e de suas mascotes integra uma série de reportagens que o Santos Portal inicia neste domingo (28) com curiosidades, informações e relatos de pessoas que declaram seu amor pelo equipamento turístico mais querido de Santos.
 
Inaugurado em 1945, na presença do presidente Getúlio Vargas, o local não é só o mais antigo do País como é o segundo maior aquário público do Brasil e o segundo parque mais visitado do Estado, perdendo apenas para o Zoológico de São Paulo.
 
Desde sempre, é referência para os santistas quando o assunto são animais aquáticos, inclusive mamíferos. Até hoje, o local recebe bichos encontrados na praia, encalhados ou feridos. Inclusive peixes levados por moradores que não conseguem adotar os cuidados adequados dentro de casa.
 
E as mascotes marcaram época na Cidade e na vida dos profissionais que se dedicaram e que se dedicam integralmente ao parque. Como não se lembrar do leão-marinho Macaé e dos lobos-marinhos Macaezinho e Abaré-Inti? E do pinguim Fraldinha, que deu à luz os primeiros pinguins nascidos em cativeiro no Brasil? Aos mais velhos, o gostinho de uma lembrança a mais: a foca Krikri, que encantou toda a Cidade após ser encontrada nas águas do Estuário. Mas o Aquário tem registro de mascotes desde o início de seu funcionamento.
 
INAUGURAÇÃO
 
A inauguração do Aquário de Santos marcou um dia de festa na Cidade e ocorreu na mesma data da entrega de uma nova sede da Santa Casa, no Jabaquara. Na época, o prefeito era Antonio Gomide Ribeiro. O antigo parque era bem menor que o atual, mas a ideia de reunir animais marinhos em um local para exposição foi considerada arrojada para a época.




 
CAPTAÇÃO DE ÁGUA
 
O Aquário de Santos é o único com sistema de captação da água do mar, ininterrupto até hoje.
 
COMIDA DIRETO DA PRAIA
 
Pescadores e marinheiros ajudavam a providenciar a comida dos habitantes do Aquário. Eles passavam um arrastão (rede) de praia, muitas vezes puxado por bois, para capturar os animais, e vários eram fornecidos como alimento para o Aquário. “Os que viessem vivos eram colocados nos tanques. Era uma forma de alimentar os animais e ter espécies em exposição, já desde aquela época”, explica o biólogo marinho e coordenador do parque, Alex Ribeiro.
 
ENTRADA GRATUITA
 
Durante muito tempo, a entrada foi gratuita. Depois, por vários anos, foi cobrada a quantia simbólica equivalente a 1 cruzeiro (os valores eram revertidos à Cruz Vermelha e à Santa Casa). Atualmente, a entrada custa R$ 8. A arrecadação é essencial para aquisição de equipamentos e compra de alimentos, por exemplo.
 
PREMUSA
 
Entre as décadas de 1980 e 1990, o Aquário teve uma embarcação de madeira, batizada de Premusa (referindo-se à Prefeitura Municipal de Santos), que fazia expedições pela região para coleta de animais e de substrato para os tanques.
 
REFORMAS
 
Em 75 anos, o Aquário passou algumas reformas, sendo a primeira em 1956 e uma outra em 1997, que desmontou alguns tanques para a construção de um auditório, dando mais espaço ao setor técnico. Mas a maior obra começou em agosto de 2004, para ampliar e modernizar o equipamento. Para isso, a principal atração, o lobo-marinho Macaezinho, precisou ficar hospedado no Orquidário Municipal. O parque foi reaberto em 26 de janeiro de 2006.

 
CENÁRIO PARA FOTOS
 
Por muito tempo, o Aquário foi cenário para fotos de casamentos. Hoje, é um local instagramável, ou seja: que rende selfies junto aos painéis pintados pelo artista norte-americano Robert Wyland.
 
BOTO OU BALEIA?
 
Uma polêmica marcou o Aquário em outubro de 1945, quando um animal de 3,2 metros de comprimento foi encontrado encalhado na praia do Embaré e levado ao Aquário. Afinal, era um baleote (filhote de baleia) ou um boto (que pertence ao grupo das baleias)? Especialistas falaram em boto-caldeirão. Mas a administração do parque garantiu que era um baleote. Ele morreu dois meses depois.
 
MASCOTES

O Aquário sempre teve mascotes. Na década de 1950, o pinguim Batuque, segundo contam, perambulava solto, ostentando suas asas. Vieram ainda o leão-marinho Cumpadre, que atraía pessoas de São Paulo, as focas Cuíca e Tamborim, além de vários outros.


 
FOCA KRIKRI
 
Ela encantou santistas e turistas na década de 1970. Com 1,80 metro de comprimento, foi encontrada nas águas do estuário e levada ao Aquário em julho de 1977, passando a fazer companhia ao leão marinho Macaé. Até concurso foi criado para a escolha do nome do animal. Ferida, ela morreu quatro meses depois.


 
MACAÉ
 
A mascote mais querida foi o leão-marinho Macaé, encontrado na praia de Macaé (RJ) e trazido ao Aquário de Santos em 1973, quando tinha cerca de 4 anos. Bateu recorde de vida para a espécie em cativeiro, permanecendo por 26 anos no parque.


 
MACAEZINHO
 
Lobo-marinho originário da Patagônia, Macaezinho encalhou na região com cerca de um ano, em 1995. Recebeu o nome em homenagem a Macaé e viveu 15 anos no Aquário, morrendo em 2011. Ele pesava em torno de 110 quilos.


 
PRIMEIRO PINGUIM EM CATIVEIRO
 
Fraldinha era um pinguim fêmea da espécie Magalhães, que nasceu no Aquário, em 2001, sendo o primeiro da espécie nascido em cativeiro no Brasil. Foram várias tentativas de colocar ovos, até que finalmente teve filhotes, mas morreu meses depois, dentro do padrão de idade, que é de 15 a 17 anos. No parque, nasceram a primeira e segunda gerações de pinguins de cativeiro do Brasil, tornando o local referência para outras instituições.

 
ABARÉ-INTI
 
Outra mascote do parque, querida pelo público durante oito anos, o leão-marinho Abaré-Ínti nasceu no Zoológico de São Paulo, em 2005, e chegou ao Aquário em 2011. Logo, o peso-pesado de 300 kg conquistou os visitantes. Em novembro de 2019, morreu após uma severa torção na alça intestinal, que provocou dor intensa e isquemia. Sua morte comoveu funcionários do parque e moradores da Cidade.


 
SACO DE CEBOLA E BOBE DE CABELO
 
Quem poderia imaginar que sacos de cebola e bobes de cabelo um dia serviram para filtrar a água dos tanques do Aquário? Hoje, essa função é dos bio balls, elementos colocados no filtro biológico para que as bactérias cresçam, se desenvolvam e se alimentem das toxinas existentes na água. “O saco, todo furado, era dobrado, vazio, e fazia o papel do filtro. Depois, vieram os bobes e até hoje alguns deles são encontrados perdidos em alguns tanques”, conta Ribeiro.

 
TANQUE DAS ARRAIAS
 
Em 2006, a instalação do maior tanque do Aquário, com 385 mil litros d’água e cinco arraias, exigiu uma verdadeira operação de guerra. Ele foi montado com 19 vidros, cada um pesando 500 kg, preenchido com água e, seguindo o protocolo correto, sem animais na fase de testes. “De primeira, já detectamos 17 vidros com vazamento. Foi uma operação bem complexa”, lembra o biólogo.
 
REPRODUÇÃO DO TUBARÃO
 
Em 75 anos, o Aquário conseguiu, pela primeira vez, fazer a reprodução de tubarões. Em agosto de 2019, o parque recebeu um casal de tubarões-gato, espécie do sudeste asiático. Como se adaptaram bem, logo iniciaram a cópula, até que Ribeiro percebeu a gestação da fêmea. Quatro filhotes nasceram, mas morreram algum tempo depois. Agora, ela está novamente prenhe. “Os ovos ficam cerca de 15 dias intactos, não mexemos. Depois, são colocados num pregador para acompanharmos o desenvolvimento”.
 
MEMÓRIA



A construção do parque



Década de 1950



G. Mennen Williams, Governador de Michigan, sua esposa; Antônio Feliciano e o presidente do Legislativo, Aristóteles Ferreira em visita ao Aquário de Santos, em 1956


 
Instalações no fim da década de 1940
 
NÚMEROS E RECORDES

 
 
Da Redação
 

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