Política
29/06/2020 - 09h53

Kenny fora da disputa


Possibilidade de impugnação da candidatura está entre os motivos; mas há outros.
 
 
Apesar de ser bem lembrado nas pesquisas de intenção de voto para prefeito de Santos, o deputado estadual Kenny Mendes anunciou esta semana que não disputará a eleição municipal, continuando seus trabalhos na Assembleia Legislativa.
 
Em transmissão ao vivo pela internet, Kenny explicou que pretende continuar seu mandato, que o permite ajudar os moradores de Santos e também os de outras cidades. Salientou que, com esta decisão, manteria a coerência e não decepcionaria os eleitores de toda a região que o escolheram para representar a Baixada Santista. 
 
Estes argumentos de Kenny são verdadeiros, extremamente legítimos, mas há outras razões. O primeiro, mais prático, foi a possibilidade de ter sua candidatura impugnada por ter doado seu salário à Prefeitura, para ajudar a combater a pandemia — o que poderia ser interpretado como propaganda antecipada. 
 
No entanto, há outras razões. Pessoas próximas a Kenny relatam que ele aparenta estar feliz com sua atual rotina, que se divide entre as atividades legislativas e o preparo das aulas de seu exitoso curso online de inglês. Uma campanha eleitoral —e uma eventual vitória— acabaria com este sossego.
 
Os ataques que fatalmente receberia durante a campanha seriam outro fator que pesou em sua decisão. Hábil usuários das redes sociais, Kenny sabe a capacidade que a rede mundial de computadores tem para disseminar mentiras e destruir reputações.
 
Outro fator — e que pesou bastante —foi a falta de uma sinalização mais clara do governador João Doria para apoiar sua candidatura. 
 
Por fim, Kenny não teria ficado satisfeito com a formação de uma consistente chapa de candidatos a vereador por seu partido (PP) e por outras legendas que manifestaram apoio em sua candidatura.
 
Deputados tomam dura de eleitores
 
Após o deputado estadual Kenny Mendes anunciar que não disputará a eleição para prefeito de Santos, outros dois parlamentares estaduais ficaram alvoroçados e lançaram um balão de ensaio para saber como seriam recebidas suas candidaturas para a sucessão de Paulo Alexandre Barbosa. Mas a reação dos eleitores de Paulo Corrêa Júnior (Podemos) e Tenente Corrêa (PSL) não foi muito boa. Seus eleitores preferem que eles continuem na Assembleia Legislativa.
 
De galho em galho
 
É muito comum no Brasil um político disputar outra eleição enquanto ainda nem terminou o mandato para o qual foi eleito. Entre as razões, a vaidade de alçar voos mais altos ou outra, mais pragmática: ele sabe que não possui a menor chance de vencer mas se lança na disputa para permanecer em evidência e facilitar a sua campanha de reeleição. Isso vale para vereador que se candidata a deputado estadual ou deputado (federal ou estadual) que se candidata a prefeito. Como bem observou o jornalista Rafael Mota, o macaco pula de galho em galho mas ignora a importância da floresta...
 
 
Jornal da Orla
 

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