Trabalho
28/08/2020 - 09h43

Desemprego cresce em cerca de 85% na Baixada Santista em 2020


Região vai na contramão do país, que já apresenta o início da recuperação. Economistas acreditam que a perda de postos de trabalho no setor de Turismo contribuíram para o resultado negativo.


 
A Baixada Santista, no litoral de São Paulo, registrou um novo aumento no índice de desemprego em julho deste ano, com o fechamento de 1.502 postos de trabalho. Porém, neste mês, os números da região vão em contramão aos do Brasil, que registrou a criação de 131 mil vagas de emprego formais em julho, o que representa o início de uma recuperação.
 
No acumulado do ano, entre janeiro e julho, foram 16.929 postos de trabalho perdidos. Para chegar a esse número, foi subtraída a quantidade de demissões (60.903) da quantidade de admissões (43.974) no período. No mesmo período em 2019, a região perdeu 2.459 postos de trabalho. Dessa forma, o desemprego cresceu cerca de 85% em 2020, em comparação com 2019, na Baixada Santista.
 
Os dados foram divulgados pelo Cadastro Geral de Empregos e Desempregos (Caged), do Ministério da Economia. O aumento do desemprego é atribuído à pandemia do novo coronavírus.
 
Desde que a quarentena foi decretada no Estado de São Paulo, em 24 de março, os comércios tiveram que ser fechados, sendo que apenas os serviços essenciais foram mantidos. Porém, com a reabertura parcial dos estabelecimentos, a expectativa é de que a empregabilidade comece a se estabilizar, reduzindo a taxa de desemprego.


Na contramão
 
Enquanto a Baixada Santista perde cada vez mais postos de trabalho, o Brasil já apresenta o início da recuperação. Para a economista Karla Simionato, isso acontece, principalmente, por conta dos impactos que a pandemia causou no setor do Turismo, que acaba refletindo nos demais serviços prestados na região.
 
"Temos a impressão de estar na contramão por causa das nossas principais atividades econômicas. Somos uma região de serviços, turismo e porto. Com a pandemia, os turistas foram orientados a não entrarem nas nossas cidades, até por conta de barreiras sanitárias, e deixaram de trazer recursos. Com isso, as pessoas que trabalham com o setor de turismo ficaram desempregadas".
 
Além disso, ela explica que essa situação causa um ciclo vicioso, pois as pessoas desempregadas param de consumir no comércio local, que diminui o faturamento e, consequentemente, causa desemprego também nesse setor. Para ela, o desafio dos governantes é fazer com que isso não se transforme em um ciclo virtuoso.
 
"Eu acredito que a situação comece a melhorar no fim de setembro ou começo de outubro. Mas, só deve voltar aos patamares de antes da pandemia em meados de 2021. Conforme os turistas voltem para a região, vamos ver que as coisas começam a melhorar".
 
O economista Marcelo Rocha também acredita que a tendência de desemprego continue por mais um mês e, depois, a situação comece a melhorar lentamente, seguindo para uma retomada. De acordo com ele, isso acontecerá, principalmente, em razão da chegada de datas comemorativas, como Dia das Crianças e Natal.
 
"Essas datas irão aquecer as vendas nos comércios e aumentar o nível de empregabilidade. Nós realmente estamos na contramão do Brasil porque a Baixada é uma região comercial, turística e prestadora de serviços. Se analisarmos o país, o aumento das vagas de emprego está no agronegócio e nas indústrias, que não é o forte da região".


G1 Santos
 

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