Meio Ambiente
10/07/2018 - 05h11

Pororoca não existe mais, uma triste notícia




Enquanto Instituto Chico Mendes diz que criação de búfalos criou valas que drenaram o curso d’água e acabaram com a pororoca, a Federação de Pecuária do Amapá alega que outros fatores devem ser considerados para o fim do fenômeno natural que já atraiu gente do mundo inteiro pro Norte do Brasil. O encontro de águas, do rio Araguari com o Oceano Atlântico, perdeu o encantamento que tinha no Amapá.
 
Pororoca: fenômeno natural
 
A pororoca era um fenômeno natural produzido pelo encontro das correntes fluviais com a maré do Oceano Atlântico. Rio e mar se confrontavam, criando uma onda que percorria mais de dez quilômetros. Gente de todo o mundo desembarcava no Amapá em busca da onda perfeita.
 
ICMBio e a atividade pecuária
 
De acordo com o ICMBio, a atividade pecuária, principalmente a criação de búfalos, criou valas e canais que drenaram o curso d’água. A Federação de Pecuária do Amapá alega que outros fatores devem ser considerados pra explicar o fim da pororoca. Iraçu Colares, presidente da federação questiona:
 
"Por causa da pecuária? E por que nós não incluímos também aí a questão, por exemplo, das hidrelétricas."
 
O vaqueiro Edgar Souza diz que
 
"O fim da pororoca dificultou o acesso para os ribeirinhos. Negócio de escola não tem condição. A escola foi fechada porque não deu mais pra estudar os moleques, aí tem que ir pra cidade. A água pra gente se alimentar ficou difícil. Ficou muito barrenta. Ficou fraco de peixe, muito fraco."
 
Profundidade do rio Araguari diminuiu muito
 
A partir de um determinado ponto, nenhum tipo de embarcação passa mais, por menor que seja. A profundidade do rio, que era de cinco, seis metros, diminuiu muito. A foz do rio, onde ele deságua e se encontra com o Oceano Atlântico, formando a pororoca, fica a 20 quilômetros de lá. Todo esse percurso era navegável. Agora, a vegetação está começando a cercar a área. O rio fechou de vez. O mato está tomando conta do lugar onde antes era só água.
 
A chefe da Reserva do Lago Piratuba, Patricia Pinha, afirma que:
 
"É um processo difícil de reverter. Teria que ser investido muita pesquisa e recurso financeiro pra poder fechar esses canais e o rio voltar a ter força de novo. Todos os danos ambientais apurados devem ser imputados a esses criadores e, eventualmente, até mesmo ao estado, que colaborou para o dano ambiental sendo omisso”, diz o procurador do MPF Thiago Cunha."
 
O governo do Amapá anunciou que um grupo vai estudar as causas do fim do fenômeno.
 
Rios brasileiros, retrato do descaso
 
O problema do Araguari não é exceção. É regra. Assim são tratados os corpos d’água no Brasil. Até quando??
 
Lembre-se como era a pororoca:
 
 
 
Mar sem Fim